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sábado , 21 outubro 2017
Humanização animal! Não respeitar a natureza do pet pode gerar complicações graves.

Humanização animal: uma relação de amor e problemas.

humanizaçãoÉ fácil perceber que atualmente há uma transferência de afetividade quando o assunto é ter menos filhos e mais animais de estimação. Os pets são ótimas companhias, ajudam no bem-estar e também no astral de quem com eles convive. Porém, essa estreita relação que se formou entre dono e pet pode gerar um problema bem comum: a humanização animal, ou seja, tratar o bichinho como um ser humano.

É necessário perceber que o animal deve ser tratado como tal. A médica veterinária Maria Eliza Fauerharmel explica que, a partir do momento que alguém aproxima muito o pet para si, este deve tomar algumas medidas a fim de evitar complicações. “O excesso da humanização do animal pode acarretar nas chamadas doenças da modernidade, que engloba a alimentação e higienização”, alerta.

A questão principal é a higiene. “Algumas pessoas transferem cuidados que dariam aos filhos para os bichinhos, e isso às vezes extrapola. Hoje, há problemas de pele pelo excesso de banho por exemplo. Quando muito higienizado, a flora bacteriana reage e o odor natural do animal aumenta, causando desconforto para quem o rodeia e aí, o dono passa a lavá-lo mais”, coloca Maria. Segundo ela, a solução é dar menos banho para que haja o equilíbrio do cheiro com sua limpeza: duas vezes por mês pode ser o suficiente.

Outro fator recomendado é mantê-los longe de parasitas, pela saúde do bichinho e do humano, o protegendo de vermes, pulgas, piolhos e carrapatos. Conforme a médica veterinária, a respeito da questão alimentar, existe no mercado rações econômicas, super premiums e até especiais para dermatites ou obesidade. “Estamos bem servidos, não precisamos alimentá-los com comida humana”, exclama Maria Eliza. Sobre o ponto psicológico, este atinge tanto o pet quanto o seu dono. “Quando muito mimado o animal não consegue ficar sozinho em casa. E por outro lado, em muitos casos de contato extremo fica mais difícil para o dono ter a consciência de que seu companheiro animal não vai viver para sempre”, diz a médica.

Esta relação, por mais estreita que esteja, deve ser feita de maneira saudável para os dois lados. “Da mesma forma como o pet não é filho e não vai envelhecer junto com o dono, ele não é escravo. Tem liberdade de escolha e requer respeito para com sua natureza de passear e varear a alimentação”. Portanto, nem o animal deve ficar extremamente dependente do seu dono e nem o dono ficar dependente de sua companhia derradeira.

Maria Eliza Moreira Fauerharmel é graduada há 15 anos pela UDESC – Universidade para o Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina, através do Centro Agroveterinário de Lages-SC.

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