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quarta-feira , 22 novembro 2017

Geração Smart?

CRIANÇAS GERAÇÃO TECNOLOGIAA Sociedade pós-moderna se constitui em várias formas (des)construídas e tão veloz quanto o  clicar do mouse. Assim, nasce a modernidade liquida, onde tudo que se pensa sobre algo se desconstrói e se (re)constrói na mesma velocidade e “liquidez” da digitalidade. E tudo isso serve para ilustrar que o sujeito pós-moderno é um sujeito envolto em novas tecnologias.

Por isso, sua constituição psíquica e social também tem sido moldada pelas novas produções culturais no uso de aparatos digitais e tecnológicos. Logo, as crianças, crias da cibercultura, já manejam tablets, smartphones, iphones e outros dispositivos móveis com muito mais interesse astúcia que adultos.

Eis então, que nos tornamos crianças e adultos, dependentes destes meios (globalizados) de informação e comunicação. E os brinquedos e brincadeiras ficam esquecidos em razão de um objeto mais atrativo, mais colorido e mais “glamuroso”. Sim, o sujeito atual precisa expor sua vida na rede em busca do “glamour” configurado como reconhecimento social. Já as crianças esquecem livros, amigos e a família para ficar horas usufruindo de um dispositivo móvel que imobiliza, por vezes, a capacidade lógica dos pequenos. Os aparelhos, sim, proporcionam jogos educativos, livros virtuais e redes sociais. E os relacionamentos sociais? E as atividades físicas? E o relacionamento familiar? Sem falar que a velocidade digital “quer” atingir a velocidade humana e assim tornar veloz as relações amorosas, de amizade e de trabalho.

Os pais precisam estar atentos ao futuro dos seus pequenos. O uso de aparelhos tecnológicos tem que ser compreendido como forma de lazer e aprendizagem. Sempre estimular a criatividade e ser uma pequena dose extra de prazer e de produção de cultura. A rede é infinita! Portanto, há de se ter mais cuidado com o limite dos filhos diante de múltiplas possibilidades. O tablet não é a babá dos filhos, o alívio dos pais e o refugio das crianças. Os telefones (smart e iphone) conseguem esperar até a adolescência. Outros aparelhos precisam ser dos pais e responsáveis e, assim, “emprestados” para a criança com limite de tempo. O importante é sempre orientar as crianças quanto ao uso, e observar qual a qualidade do tempo gasto no ciberespaço.

Então, no lugar de psicóloga, levanto a bandeira da relação humana e toda sua complexidade. Defendo, ainda, o inconsciente ao software, o ser ao hardware, as relações a links, conflitos a vírus. E, com isso, criar um mundo bem melhor para novas gerações curtirem e compartilharem. Há que se pensar em equilíbrio, já que não se pode negar que se vive um momento de digitalidade.

Assim, pensa-se em alguns cuidados para que a tecnologia não se torne um problema na família:

– Estimular a criança antes da hora ocasiona atropelos em seu desenvolvimento e ainda estimula a ansiedade. Por isso aconselha-se atenção redobrada às faixas etárias recomendadas para cada atividade.

– Os meios eletrônicos jamais devem substituir as brincadeiras físicas, da mesma forma que os amiguinhos virtuais jamais devem substituir os reais. O saudável é equilibrar as duas esferas.

– Na hora de procurar jogos, é preferível optar pelos que exigem da criança aptidões adequadas à sua faixa etária. Para bebês de até 2 anos, o ideal são exercícios que desenvolvam habilidades motoras. Crianças de 2 a 7 anos são melhor estimuladas com jogos simbólicos, que requeiram criatividade, imaginação e fantasia. A partir dos 4 anos, jogos de construção, como quebra-cabeças e montagem de blocos, são indicados. Dos 6 anos em diante, o ideal é brincar com jogos de regra, que demandam atenção para ganhar do adversário.

– Durante o passatempo, a observação é fundamental para descobrir interesses e aptidões dos pequenos, muitas vezes revelados pelas brincadeiras, tanto eletrônicas quanto físicas.

– Bebês com menos de 7 meses não devem ficar muito tempo próximos de telas de TV, computador e tablet nem de celulares. A luz emitida por esses aparelhos prejudica a formação da retina deles.

– Perfis em redes sociais e celulares próprios só devem ser liberados a partir dos 13 anos, com os pais sempre a par do que a criança faz.

– Tablets, computadores e televisão não devem ser usados somente para que a criança se distraia sozinha. É importante participar das atividades dela, ainda que apenas fazendo comentários enquanto ela assiste a um vídeo, por exemplo.

– Dar brinquedos apenas não é suficiente: as crianças também precisam aprender a brincar. Elas devem ser ensinadas sobre o que fazer com aquele brinquedo, seja ele uma bola ou um joguinho eletrônico.

Mariana Prola é formada em Psicologia pelo Centro Universitário Franciscano. Trabalha na área em consultório próprio desde 2005 e possui especialidade em tratamentos com Clínica Infantil, além da formação com ênfase no assunto emocional-virtual, cibercultura e ciberespaço.

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