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sábado , 19 agosto 2017
contando carneirinhos

Contando carneirinhos!

contando carneirinhosAcordar cedo, levar as crianças à escola, enfrentar filas de engarrafamento no trânsito, chegar ao trabalho (5 minutinhos atrasado), levar bronca do chefe, trabalhar, trabalhar e trabalhar… No fim do dia, ir para casa, desfrutar alguns instantes com a família e finalmente dormir. Muitos leitores certamente irão se familiarizar com a rotina descrita, pois todos precisam trabalhar, economizar, sair do aluguel, adquirir um carro e ter conforto mesmo que acompanhados de estresse, dores de cabeça, entre tantos outros fatores que a vida moderna tem nos proporcionado. Precisamos de uma cama com molas ensacadas, macia, confortável, cheia de firulas, conforme pregam as lojas que vendem tais produtos, para podermos repousar tranquilamente.

Mas o fato é: realmente basta a tal cama ou outro tipo de conforto que batalhamos tanto para conseguir? Há pessoas que dizem que sim, outras, no entanto, são influenciadas pelo estresse de uma vida lotada de excessos e precisam de um incentivo para conseguir uma ótima noite de sono. Tal “incentivo”, na maioria dos casos, é o famoso “calmante”. “Qual o problema? Apenas por pouco tempo, só até eu ficar bem! Afinal, o vizinho disse que toma só duas gotinhas antes de dormir e tem um sono tranquilo”.

Literalmente, o perigo mora ao lado, os populares “calmantes” ou em termos técnicos, ansiolítico-hipnóticos, muito bem representados pela classe farmacológica dos benzodiazepínicos, são medicamentos lançados no mercado pelas indústrias farmacêuticas, com a capacidade de atuar na diminuição da tensão e ansiedade, e inclusive induzir sonolência. No entanto, um indivíduo usuário de medicamentos ansiolítico-hipnóticos apresenta, concomitante ao efeito “calmante”, sérios prejuízos à coordenação psico-motora, que em muitos casos precisa estar preservada, como no caso dos motoristas e operadores de máquinas pesadas.

Na sociedade individualista em que vivemos, paradoxalmente, somos tratados coletivamente. Consultórios de profissionais da saúde são fábricas de receitas médicas uniformizadas, nivelando o tratamento de todos os indivíduos. E esses profissionais, muitas vezes esquecem-se do ser individual e que cada pessoa tem uma história de vida. Outra questão importante é avaliar a real necessidade de prescrever determinados fármacos. Por isso, tanto o profissional que prescreve o medicamento quanto o que o dispensa, precisam saber quem será o usuário do medicamento, para desse modo poder orientar corretamente o paciente do custo-benefício que o tratamento oferece.

Porém, um sono regado a fármacos ansiolíticos é ilusório, uma vez que o usuário vai precisar repetir todas as noites o mesmo ritual, de tomar as “duas gotinhas”, quando não começar a ter que usar três, quatro, cinco gotinhas e com o passar do tempo, já é um usuário inveterado que consegue mais desfrutar do conforto da sua cama, com as tais molas ensacadas, sem estar “medicado”.

A necessidade de aumentar a dose de um determinado medicamento, em usuários crônicos, para se obter o mesmo efeito, denomina-se tolerância e sabe-se que os ansiolíticos são fármacos capazes de gerar esse efeito. Muito mais que isso, eles também induzem quadros de dependência, ou seja, o usuário não consegue permanecer mais sem usá-los e, quando não tem acesso, percebem os sintomas de ansiedade e tensão mais exacerbados que antes de começar a usar estes medicamentos. Pior, em casos mais graves, apresentam desvios comportamentais como agressividade, irritabilidade, amnésia e/ou privação da razão.

Os principais fármacos prescritos são: diazepam, clonazepam, lorazepam e flunitrazepam, midazolam e triazolam. Todos são capazes de desenvolver dependência e tolerância. Além disso, quando utilizados associados ao álcool, os efeitos depressores de ambas as substâncias são acentuados, o que gera grande procura por adolescentes que frequentam raves e festas em geral. Por esses motivos, muitos fármacos dessa classe tiveram seu uso proibido em vários países.

O uso desses medicamentos não torna-se totalmente dispensável, eles estão no mercado e vem muito bem a calhar em determinadas situações, basta a indicação racional e controlada dos profissionais da saúde, bem como, a consciência de cada um da real necessidade. Além disso, a vida nos proporciona remédios não farmacológicos contra quaisquer tipos de estresse e depressão, cabe a nós contrabalancear a rotina e equilibrar pontos geradores de estresse e ansiedade, antes de recorrermos às “milagrosas gotinhas calmantes”.

Litiérri Razia Garzon – Mestre em Ciências Farmacêuticas.
Hecson Segat – Farmacêutico

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